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terça-feira, 9 de novembro de 2021

Recife 500 anos

 Em 2037, Recife completa 500 anos, tornando-se a primeira capital do Brasil a completar esta idade.


Pensávamos que esta data iria passar batido pelas autoridades e pelos intelectuais da cidade, porém, felizmente, não é esse o caso.


No começo do ano, formou-se um comitê para pensar a cidade até o ano de 2037 e além. Mais do que necessário, é urgente recuperar a grandeza que Recife tinha frente a outras capitais do Nordeste, principalmente.


Antes um polo médico, polo jurídico, polo cultural, polo tecnológico e polo turístico, Recife ficou para trás em diversos desses aspectos para João Pessoa, Salvador e Fortaleza.


Além disso, é preciso voltar a melhorar a qualidade de vida da população: expandir o plano de recuperação das calçadas e aterramento dos fios que tanto enfeiam a nossa cidade.


A Prefeitura tem muito trabalho pela frente e passaremos a acompanhar de perto - e cobrar - as ações que estão sendo propostas e feitas no sentido de tornar Recife uma cidade do futuro.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Primeiro panorama das Eleições Municipais 2020

Voltamos à ativa nesse blogue com o primeiro panorama das Eleições Municipais 2020.

Recife

Em Recife, com o segundo mandato de Geraldo Júlio (PSB) bem avaliado, há uma grande chance de eleição de João Campos (PSB), filho do ex-governador Eduardo Campos e eleito o deputado federal mais votado de Pernambuco na última eleição.

Marília Arraes (PT) vinha trabalhando seu nome internamente dentro do partido, porém anda sumida da cidade - sem divulgação própria nem do partido, que resiste ainda à sua candidatura e que optaria por apoiar João Campos.

O nome que mais está na boca do recifense é de Túlio Gadelha (PDT) que, desde a sua eleição para deputado federal tem um trabalho intenso com forte inserção nas redes sociais. Além disso, desde o ano passado vem visitando comunidades e mantendo conversas com lideranças.

Outros candidatos que estão estudando viabilidade é Daniel Coelho (Cidadania) e Mendonça Filho (DEM).

Olinda

Professor Lupércio (Solidariedade), apesar dos erros do começo da gestão, tem tido uma boa avaliação e, até o presente momento, não há outro candidato que possa bater de frente com sua postulação. Antônio Campos, irmão do ex-governador Eduardo Campos, tem trabalhado pela criação do partido Aliança pelo Brasil com o objetivo de concorrer pelo partido à prefeitura de Olinda. Não há informações se, não conseguindo o registro, concorrerá ou não por outro partido.

Jaboatão dos Guararapes

Anderson Ferreira (PR) tem tido uma boa avaliação, o que pode colocá-lo novamente na prefeitura por mais 4 anos.

Caruaru

Raquel Lyra (PSDB) tem tido boa avaliação, mas não vai ter vida fácil na candidatura à reeleição. Tony Gel (DEM) e José Queiroz (PDT) pretendem se aliar para lançar candidato para bater de frente com a atual prefeita. O deputado estadual Erick Lessa (PP) pretende também causar dor de cabeça à candidata.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Votação dos Vereadores da cidade do Recife na questão do Cais José Estelita

Vereadores que aprovaram o projeto de Plano Diretor que facilita a construção do Novo Recife no Cais José Estelita
Vicente André Gomes (PSB)
Eriberto Rafael (PTC)
Augusto Carreras (PV)
Edimar de Oliveira (PHS)
Aderaldo Pinto (PRTB)
Aerton Luna (PRP)
Aimee Carvalho (PSB)
Alfredo Santana (PRB)
Almir Fernando (PCdoB)
Maguari (PSB)
Estéfano Menudo (PSB)
Felipe Francismar (PSB)
Gilberto Alves (PTN)
Jadeval de Lima (PTN)
Marco Aurélio (PTN)
Marco di Bria (PTdoB)
Marcos Menezes (DEM)
Michele Collins (PP)
Romerinho Jatobá (PR)
Vera Lopes (PPS)
Wanderson F. (PSDB)
Wilton Brito (PHS)

quinta-feira, 31 de maio de 2012

De Gestor a Político

O homem é politico por natureza. Alguns desenvolvem tanto essa habilidade que passam a exercer cargos públicos. Outros estão no lugar certo, na hora certa e fazendo a coisa certa.

João da Costa estava no lugar certo, na hora certa e fazendo o seu trabalho certo - e isso pesou para que fosse escolhido candidato à eleição municipal de 2008 pelo então prefeito João Paulo, em 2006. Nesse mesmo ano, o então secretário, administrador/gestor excelente, fora eleito deputado estadual.

João Paulo desafiou toda a cúpula do PT, inclusive o então Presidente Lula, e elegeu João da Costa. Ainda no primeiro ano de gestão, rompeu politicamente com o eleito. Assim, o prefeito teve que buscar o apoio da cúpula para fazer as mudanças necessárias e seguir governando a cidade - buscou e conseguiu.

Em 2010, João Paulo foi eleito o 3º deputado federal mais votado de Pernambuco (depois de Ana Arraes e Eduardo da Fonte), sendo o mais votado do PT.

As críticas à gestão, que já eram grandes, aumentaram. Conspiradores imaginavam que todas partiam do adversário político do prefeito, recém instalado em Brasília. Porém, com rejeição demonstrada em pesquisas, era capaz de não ser reeleito, o que o fez passar boa parte do começo de 2012 em penumbra política.

Ressurgiu quando apareceu uma movimentação dentro do PT com o intuito de indicar outro quadro do partido à candidatura. Pouco depois surgiria Maurício Rands, deputado federal licenciado e secretário do governo estadual, como postulante à candidatura do PT á Prefeitura do Recife, apoiado por Humberto Costa e João Paulo.

No dia da prévia, depois de uma intensa disputa judicial acerca dos filiados votantes, João da Costa venceu - mas a prévia foi anulada e uma nova foi marcada. Porém, depois do desgaste da 1ª prévia, o PT Nacional achou por bem sugerir aos postulantes desistirem em prol de um tertius, o senador Humberto Costa. Voltaram confiantes em continuar com a prévia, mas Maurício Rands desistiu em favor do terceiro nome.

A pressão toda se voltou ao prefeito. O acordo com a Executiva Nacional consistia em renunciar à realização das prévias e à candidatura à reeleição. Consultada a base e os aliados, o prefeito reivindica a homologação do resultado da prévia e resiste como candidato à reeleição, correndo risco de ser expulso pelo partido.

João da Costa está certo, o resto dos personagens está errado.

Não precisa dizer o por quê de João Paulo estar errado: induziu e instigou o PT a ficar contra o prefeito, criou e estimulou a cizânia, tudo em prol do projeto pessoal.

Humberto Costa está errado em dar ouvidos à João Paulo depois de ter discordado da candidatura de João da Costa em 2008 e ter apoiado a gestão deste quando JP abandonou. Maurício Rands está errado pelos mesmos motivos.

João da Costa está certo ao defender seu trabalho, iniciado na gestão de João Paulo; ao defender sua candidatura à reeleição, haja vista não ter sido apresentado um argumento convincente ou um projeto alternativo; e, ao criticar os seus adversários nessa disputa, não só pelo motivo anterior, mas também por causa da forma que o processo de prévias foi conduzido.

O PT está errado ao não saber de forma profunda como se desenrola a política em Recife e ao impor um nome diferente do escolhido e fora do procedimento de democracia interna.

João da Costa está sendo o político que não foi em três anos.

domingo, 27 de maio de 2012

Do silêncio se diz tudo

Recentemente conversei com um grande advogado, filiado a um partido sobre a situação política dos partidos e candidatos, com o qual chegamos a pontos em comum.

O PT entrou em um processo de destruição interna através de uma guerra em praça pública. João Paulo impôs o nome de João da Costa à cúpula do PT (Humberto Costa e Maurício Rands), indo até Lula, para garantir sua indicação. Conseguiu a indicação e elegeu o candidato. Quis continuar governando a cidade e bateu de frente com o Prefeito de direito. Abandonou o antigo aliado, que recebeu o apoio da cúpula pra continuar governando.
Em 2010, foi o candidato do PT que recebeu mais votos para deputado federal. Por algum motivo, por alguma lábia geniosa de João Paulo, conseguiu convencer Maurício Rands a lançar pré-candidatura contra o direito legítimo de João da Costa concorrer à  reeleição.
Achou que João da Costa ia desistir ou perder - venceu por uma diferença de pouco mais de 500 votos. O perdedor apelou à Executiva Nacional, que queria um candidato neutro - Humberto Costa seria o ideal, mas João Paulo ou um terceiro também seriam bons. Porém, para isto, precisava do apoio dos dois pré-candidatos que concorreram.
Tenho certeza que Maurício Rands apoiou a ideia - também tenho certeza que João da Costa bateu o pé. E então a Executiva Nacional decidiu marcar uma 2ª prévia.

João Paulo aplica o lema "dividir para reinar": está jogando o atual prefeito e seus aliados contra a cúpula com a intenção de que todos o procurem como solução de todos os problemas do PT. Só faltou combinar com a plateia. Até o presente momento, a maioria dos diretórios zonais e movimentos sociais estão apoiando o atual prefeito. Nessa guerra só quem perde é o PT.

Eduardo Campos agradece. Enquanto vai gerindo o Estado e preocupando-se com Brasília, fica calado sobre o discussão municipal - quer mais é que o PT perca poder para que o PSB reine (mais uma vez, dividir para reinar).

A oposição parece só estar esperando terminar essa confusão do PT pra sair da toca - talvez nem isso. Dos que podem concorrer, só Raul Henry parece estar mais avançado - ainda sem um vice, no entanto.

Enquanto a prévia no PT ainda permanecer indefinida, toda a eleição permanece indefinida.

Eduardo Campos, querendo ser pelo menos o vice de Dilma em 2014, se tornou quase uma unanimidade no Estado. Conseguiu reatar com Jarbas Vasconcelos, depois de 14 anos do rompimento deste com Miguel  Arraes, para chegar aos poucos próximo ao PMDB e não ter problemas quando pretender tomar a vice.

E nesse caminho até Brasília, existe a Copa das Confederações e do Mundo, que envolvem não só a Arena Pernambuco, mas também as obras de mobilidade e infra-estrutura.

Enquanto a eleição de Recife mantiver-se enrolada, também manter-se-á enrolada a eleição de 2014.

Enquanto isso, mantém-se o ditado: dividir para reinar; desunir para governar.

sábado, 6 de junho de 2009

Polêmica à vista

Eu sempre admirei São Paulo (a capital) pelo seu poder de se auto-transformar. Nas palavras de Mário de Andrade, escritor do movimento modernista de 1922, "paulicéia desvairada" (ainda com acento agudo no 'e'). Ou segundo Oswald de Andrade, escritor companheiro do primeiro, uma cidade antropofágica.

E sempre ouvi comentários de que Recife é uma cidade provinciana. Segundo o Aurélio, provinciano é aquele natural ou próprio da província, por oposição à capital. Em seguida vem o comentário no próprio dicionário: usado muitas vezes pejorativamente com a conotação de 'atrasado', 'superado'. É até uma contradição Recife, a capital, ser contra a capital. Talvez isso remonte à época da Guerra dos Mascates, quando Recife lutou contra a capital Olinda.

Hoje é diferente. Recife é a capital e deve demonstrar isso de alguma forma. Pelo menos, deveria. Toda a impressão que falei no começo do texto, meu pai já sentiu também: a impressão de Recife parecer uma cidade do interior em relação à São Paulo.

Vou direto ao ponto. Pior do que essa sensação, é a sensação de que os próprios recifenses não querem que a cidade se torne, por exemplo, uma São Paulo, com seu porte, sua importância e sua demonstração de respeito perante os problemas que enfrenta. E esse não querer aparece sempre que uma obra nova de grande porte surge em Recife. É polêmica na certa. Vou falar de alguns exemplos aqui.

Haja vista não termos informações acerca de épocas doutrora, não podemos dizer com certeza como foi a recepção da cidade quanto a obras como a Avenida Agamenom Magalhães (que corta a cidade em Leste - Oeste), como a Avenida Recife, a Avenida Abdias de C arvalho, a Avenida Norte ou a Avenida Sul.
Uma coisa é certa, e este blogueiro sabe. Na construção da Avenida Dantas Barreto, a Prefeitura teve a coragem de derrubar a Igreja dos Martírios para que os carros, essa bela invenção para a classe média, desfilassem no Centro da cidade. Não deu outra: acabou se transformando num corredor de ônibus, haja vista o caos que já estava se tornando.

A primeira obra polêmica foi o Obelisco de Brennand, no Marco Zero. Símbolo do fim do mandato de Roberto Magalhães (atualmente deputado federal, DEM-PE), haja vista terem visto alguns, incluindo a própria esposa daquele, o órgão sexual masculino. Precisam ler mais sobre a história dos obeliscos, Egito Antigo, Maçonaria, etc. O projeto original foi modificado para "disfarçar" as características mundanas do monumento.
Francisco Brennand é um renomado artista plástico, conhecido até mesmo internacionalmente. Tem obras suas em locais que ninguém imagina. Painés no IFET (antiga Escola Técnica, depois renomeado CEFET) e na Biblioteca Pública do Estado (que fica na Avenida Visconde de Suassuna, para quem não sabe). Brennand mantém um castelo em pleno Recife, na Várzea.
E, apesar disso tudo, sua imagem foi duramente atacada na época. A troco de quê? De um provincianismo, conseqüência de uma suposta moralidade de interior que não sabe separar um órgão sexual masculino de verdade de um obelisco.

A segunda obra polêmica é o Parque Dona Lindu. Esqueçamos o mérito do nome.
Qual era a intenção inicial (ou intenções iniciais) do Parque? Fazer com que Boa Viagem, ponto turístico natural de Recife, consolidasse essa posição com um centro de convenções e eventos. A Região Metropolitana de Recife só tem um centro de convenções e, portanto, não podia receber mais de um evento ao mesmo tempo. Isso é ruim turística e empresarialmente. O prefeito Elias Gomes (PSDB-PE), de Jaboatão, tem, entre seus panos, construir um centro de convenções lá. Além disso, Boa Viagem não tem teatro. Boa Viagem não tem um parque como o Parque da Jaqueira.
Polêmica também foi porque a Prefeitura contratou com Oscar Niemeyer, por inexigibilidade de licitação, como se Oscar Niemeyer fosse alguém desconhecido, um arquiteto iniciante. Tentou-se mais uma vez destruir a imagem do idealizador da obra, como fizeram com Brennand, porém não conseguiram. Aí começaram a desqualificar a obra em si.
Disseram que ia ser mais um elefante branco, que era dois rolos de papel higiênico, e mais outras coisas. Mais uma vez, a Prefeitura modificou o projeto original, aumentando o espaço verde.
E a maldição da obra polêmica, de Roberto Magalhães, também pegou em João Paulo (PT-PE). Inaugurou, politicamente, antes de estar pronta, e já está com problemas. Ele somente quis demonstrar, em "território inimigo", que tinha vencido.

Por último, a obra das torres gêmeas no bairro de São José. Polêmica, arquiteta e juridicamente. Atenhamo-nos somente a polêmica arquitetônica.
Projetadas por um desconhecido aí, mas construídas pela conhecida de nós todos, a construtora Moura Doubex, a polêmica envolve praticamente o contraste do estilo contemporâneo das torres com o estilo da década de 1940 do prédio do Grande Recife Consórcios de Transportes, próximo ao viaduto, com o estilo francês da Estação de Trem ali próximo também, ou com o estilo português dos armazéns.
Quem cria a polêmica é quem não aceita que os armazéns, de trocentos anos atrás, reformados não sei quantas vezes, sejam vendidos para a construção de novos edifícios ou sejam derrubados para dar visão aos edifícios antigos daquela região.
Se a Prefeitura, ao terminar o acordo com o Porto do Recife, para implantar ali o Roteiro Turístico Recife Olinda, quiser derrubar tudo (fora o Terminal Marítimo e o Armazém 14), eu apoiaria. Hoje é muito mais custoso mantê-los ali (segurança, limpeza, iluminação pública, etc) do que se derrubasse tudo ou construíssem outros edifícios.

Então, as polêmicas só servem para aqueles que querem viver numa cidade de interior, pacata, calma, em que um homem vai devagar, um cachorro vai devagar, um burro vai devagar (eta vida besta!, como falou Carlos Drummond de Andrade). A cidade precisa ir, a cidade não para (Chico Science). A polêmica da Avenida Conde da Boa Vista só serve para os motoristas de carros, numa época em que é necessário discutir menos carros, mais ônibus e bicicletas.
Ou a polêmica da ponte dos Coelhos, que diziam ligar lugar nenhum a canto nenhum, mostrando o desprezo da sociedade recifense às comunidades que vivem nos extremos dessa ponte. Lugar nenhum? Não gostaríamos que nossa cidade fosse chamada de "lugar nenhum" (vai falar para um acreano que lá é o fim do mundo). Hoje, a ponte dos Coelhos é importante para quem quer sair da cidade e ir para a Ilha Joana Bezerra, e vice-versa. Um advogado, por exemplo. É muito menos distante do que fazer a volta pelas Avenidas Conde da Boa Vista e Agamenom Magalhães.